Ava DuVernay é uma das diretoras mais ousadas da atualidade, e desde Olhos que Condenam, seu maior trabalho no mundo da televisão, ela tinha minha total atenção para qualquer projeto que fosse encabeçar, porém, por ser completamente leigo quando o assunto é esportes, eu não fazia ideia de que essa minissérie estava em produção, e muito menos que ela estaria envolvida. Quando recebi o screening da Netflix, fui pego de surpresa com a sinopse e toda a equipe criativa que estava por trás de Colin in Black & White, pesquisei um pouco sobre a história de Colin Kaepernick e me preparei para assistir os três primeiros episódios.

A produção é focada na adolescência de Kaepernick, sendo narrada pelo próprio, enquanto sua versão jovem é interpretada por Jaden Michael. O elenco também conta com Nick Offerman (Parks & Recreation) e Mary-Louise Parker (Weeds), que dão vida aos pais do nosso protagonista.

A trama desses três episódios é conduzida de forma inventiva e muito inspirada, levantando questões pessoais e identitárias, com momentos que parecem um tapa na cara, sempre tocando na ferida de forma efetiva e sem rodeios. Apesar disso, há momentos pontuais de respiro, que acabam equilibrando o tom e fazendo os episódios passarem voando. A contextualização da época em que estamos acompanhando a vida do nosso protagonista, e toda a trilha sonora que compõe o ambiente, é escolhida a dedo. Apesar de se passar na adolescência de Colin, sua narração faz questão de constantemente nos colocar no presente, mostrando paralelos entre as épocas, e executando um trabalho primoroso em pontuar as polêmicas recentes que o envolvem. Se os três episódios finais forem tão bons quanto esses, tenho certeza de que a minissérie vai ter um espaço garantido na minha lista de favoritos em 2021.

A minissérie completa estará disponível 29 de outubro na Netflix.

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Cid Souza

Cid Souza

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