Melhores Séries de 2021 por Diego Quaglia
Lista

Melhores Séries de 2021 por Diego Quaglia

por Diego Quaglia

21/02/2022

Aos poucos as séries de 2021 foram engrenando e fazendo com que esse ano fosse em uma ascendência que se revelasse muito diversa para o ano televisivo. Grandes dramas voltando, dramédias, minisséries, comédias rasgadas, encerramentos e até o retorno do procedural. 2021 foi um ano para todos os gostos e acho que a minha lista reflete um pouquinho a diversidade desse período.

*Lembrando que essa lista não conta com séries ótimas como *“Yellowjackets”* que ainda está em exibição e só se encerra em janeiro de 2022.*

10. “The White Lotus” (HBO)

Mike White da subestimadíssima “Enlightened” segue muito inspirado em entender os agentes que movem suas obsessões: aqui tirando sarro e analisando facetas do neoliberalismo (o playboy reaça, a família dominada pelo progressismo mercadológico, o gerente com síndrome do “pequeno poder” e etc). “The White Lotus” é uma série lindíssima visualmente se aproveitando de todo aquele paraíso praiano para configurar os palhaços monstruosos que ela vai satirizar e aí vai se tornando cada vez mais exaustante, opressiva, desesperadora e também hilária. É fascinante e ao mesmo tempo libertador ficar um tempo com aquelas figuras até a libertação.

9. “Midnight Mass” (Netflix)

As séries da Netflix de Mike Flanagan oferecem o melhor do seu potencial como autor até o momento. Tanto pela sua direção quanto na sua verborragia especifica, Flanagan consegue abrir a porta para debates religiosos e reflexões existenciais sem jamais esquecer a atmosfera e a materialidade do terror que une aquela ilha e da emoção que os seus personagens sabem vivenciar tão bem e que ele conduz de um jeito que vai se transformando em algo primoroso quando você vê até onde ele quer chegar.

8. “Hacks” (HBO Max)

Uma espécie de irmã de “The Other Two”, só que a série dos irmãos Dubeck é uma comédia rasgada, “Hacks” é muito mais uma dramédia hilária quando quer fazer rir, mas também bastante emocionante e interessante na forma que analisa mesclando drama e ironia o conflito geracional que segura a série, questões feministas, da sociedade do mundo moderno e das falhas, particularidades e grandezas de duas protagonistas extremamente bem interpretadas. A ambientação em Las Vegas dá um gás surpreendente para a série e ter Jean Smart como um furacão tomando a cena para si também ajuda.

7. “Mare of Easttown” (HBO)

Não existe nada de novidade ou nada demais em “Mare of Easttown”, e esse é justamente o seu grande poder. Investigadores autodestrutivos e com problemas emocionais resolvendo crimes em cidades pequenas conhecemos aos montes em diversas variações, que vão de “Twin Peaks” até “Top of The Lake” e “The Killing”. A lista segue e segue. Porém o que torna “Mare of Easttown” tão especial é justamente como ela estabelece o seu tom diante dos seus objetivos e consegue equilibrar tão bem três polos que sempre conversam num só graças a habilidade do roteirista Brad Ingelsby e do diretor Craig Zobel: a série de investigação de um crime que assim como “Only Murders” sempre se revela interessante e rica em suas reviravoltas, uma análise dos habitantes de Easttown e finalmente do drama pessoal da sua protagonista. Kate Winslet que há tempos que não tinha um papel há sua altura consegue explorar com maestria todas as complexidades da sua Mare e oferecer dentro da uma riqueza descomunal que acompanha a série.

6. “Pose” (FX)

Pose se encerrou assim como começou: com beleza, tristeza, alegria e glória. A série de Steve Canals, Ryan Murphy e Brad Falchuck nunca escondeu a tristeza do mundo que cerca os seus personagens, pelo contrário, sempre a denunciou, mas aqui a resistência deles serem quem eles são é levada ao patamar de glorificação. Como uma vitória diante das dores da vida e como um manifesto das alegrias que tem que ser sentidas. Essa captura de um tempo especifico, de um sentimento especifico que se mostra imortal e de como aqueles personagens excelentes se relacionam uns com os outros acabam deixando um gosto de saudades quando “Pose” se encerra. Mas também um gosto de missão cumprida.

5. “The Other Two” (HBO Max)

“The Other Two” é uma comédia onde o principal segredo é contraste. Se por um lado temos um humor ácido que satiriza toda a cultura atual e do entretenimento como patética se focando em dois fracassos cheios de falhas interagindo com a sua família e amigos igualmente amalucados sempre com rapidez, agilidade e sem nenhum compromisso em encontrar situações para humilhar Brooke e Cary, a comédia de Chris Kelly e Sarah Schneider (também protagonista da série) sempre encontra um tempo para mostrar que por mais disfuncional que sejam aquele mundo e aquela família existe um amor e sentimentos verdadeiramente motivadores e de união que os unem e façam com que seja sempre interessante ver os irmãos Dubek caminhando pelo fracasso.

4. “Only Murders in the Building” (Hulu)

O reencontro da dupla Steve Martin e Martin Short com adição da estrela pop Selena Gomez não poderia ter rendido frutos melhores: o que é estranho à primeira vista flui de maneira inesperada. Uma sátira a cultura dos podcast e do conteúdo “true crime”, uma análise da solidão e de não se seguir em frente, uma mistura entre um humor pastelão, doce, sarcástico, um aprofundamento no microcosmo do edifício e nos laços emotivos daquele trio interpretados maravilhosamente pelos protagonistas e uma trama de suspense que realmente engaja a cada reviravolta. A liberdade para se contar essa história é tanta que animação, teatro, cinema mudo, Woody Allen e até Wes Anderson compõe o caldeirão de referências que “Only Murders” surpreendente tanto a oferecer de bandeja.

3. “Evil” (Paramount+)

A primeira temporada de “Evil” era uma série simpática, com bons personagens feitos por bons atores, bem-feita e já apresentava a inteligência do casal Robert King e Michelle King na elaboração do roteiro e direção da série. Porém algo que poderia faltar para que a série engrenasse de vez e oferecesse o que o casal King conseguiu tão bem em “The Good Wife”: estabelecer uma trama simples e com ela absorver um nível de complexidade no seu roteiro e direção que são quase inexistentes nos dramas de TV aberta norte–americana. Migrando da CBS para a Paramount+, Evil ganhou mais forma e se mais força se revelando um procedural imperdível que eles entendem tão bem e lembra tanto na destreza do texto e da estética as melhores temporadas de “Arquivo X”, “Buffy” e “Fringe” misturando vários aspectos do gênero de terror, enquanto misturam drama, comédia, desenvolvendo melhor as questões particulares dos seus personagens e aprofundando personagens incríveis como o Leland do excelente Michael Emerson. Esse equilíbrio entre mitologia e casos da semana rende preciosidades como o excelente “S Is for Silence” e o final da temporada.

2. “For All Mankind” (Apple TV+)

Depois de revolucionar a ficção cientifica audiovisual com a sua obra–prima, a versão dos anos 2000 de “Battlestar Galactica”, Ronald D. Moore retorna ao gênero em uma configuração diferente, mesmo que permaneça com temas e características evidentes da sua série anterior. A primeira temporada de “For All Mankind” vai num crescente do seu primeiro episódio até o seu season finale deixando possibilidades para que a segunda temporada se aprofundasse ainda mais, e não só ela fez isso, como também levou ainda mais longe o poder que a série prometia e entregou. A realidade alternativa da série foi evidenciando cada vez mais os seus apontamentos políticos e sociais, misturando a vida profissional e pessoal dos seus personagens com o mesmo interesse, engrandecendo o trabalho dos seus atores e de como a série constantemente mexe com o lugar dos seus personagens.

1. “Succession” (HBO)

Os acertos da terceira temporada de Succession foram vários e pode parecer mais do mesmo destacar o quão notável são os personagens únicos, os atores brilhantes, o texto, a direção, a narrativa, a ambientação, a trilha sonora, a fotografia, a edição e os diversos elementos que fazem do retrato da família Roy uma das coisas mais notáveis que temos hoje em dia na televisão, mas talvez o que tenha feito essa terceira temporada de Succession tão especial foi olhar para o lugar mais coerente que a série pode ir sem que nem o público em si soubesse qual é esse lugar. Jesse Armstrong depois do final explosivo da segunda temporada executou todos os seus objetivos com maestria, salientando como a possível guerra entre Kendall e Logan na verdade é só mais uma demonstração do quanto aquele ambiente familiar e profissional é um produto de dor e de autodestruição que entende para os outros irmãos, criando personagens que são tão detestáveis quanto fascinantes, que são trágicos quanto engraçados, que são tão vítimas quanto opressores, sabendo olhar para cada lugar da dinâmica familiar perversamente triste e hilariantemente cínica da família Roy e do mundo político e empresarial que os cerca. 

Além de um aprofundamento em tudo isso, também existe um aprofundamento em novas promessas e em novos personagens e dinâmicas que vão surgindo junto com o retorno de pontas soltas que são amarradas no meio do caos que é aquele mundo. O último episódio em particular é uma obra–prima salientando que por mais que os Irmãos Roy queiram guerrear com o pai em pé de igualdade para tomar o seu torno, o ambiente que eles foram criados e a própria criação que tiveram acaba por destruí–lós internamente, enquanto o público assiste aquilo fascinado e chocado com as pequenas atitudes, silêncios e gestos no meio dos palavrões e ameaças capazes de gerar reações extremas.

Menções honrosas: “It's a Sin” (BBC Two), “Saved by the Bell” (Peacock), “The Underground Railroad” (Amazon Prime Video), “The Great” (Hulu), “Master of None Presents: Moments in Love” (Netflix), “Mythic Quest” (Apple TV+), “Ilha Record” (RecordTV), “Chucky” (Syfy/USA Network), “Maid” (Netflix) e “Loki” (Disney+).

Diego Quaglia
Autor

Diego Quaglia

@diegoquaglia2

Arte é algo maravilhoso, audiovisual é o que mais me atrai e as séries são parte dessa paixão.

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